12 coisas que aprendi no Egito

NOTA: Este post foi publicado primeiramente no Papo de Homem.
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Obviamente um país com problemas sociais e com turismo em baixa, até um pobre mochileiro de calça rasgada vai parecer um saco de dinheiro ambulante e despertar o interesse de trabalhadores do turismo local. Mas os egípcios são muito (muito mesmo) hospitaleiros, tratam-lhe bem a todo momento sendo prestativos com informações (em ARABEnglish) e muitas vezes recusam ou ficam ofendidos com gorjetas. Aprendi muito com esse povo que em 15 dias me apresentou um pouco da cultura e do mundo Árabe. Abaixo conto um pouco dessa história:

Vista das Pirâmides de Gizé no Terraço do Pyramids Loft

Vista das Pirâmides de Gizé no Terraço do Pyramids Loft

1. O chá limpa o corpo (e a areia da boca)

Cerveja? Nem pensar em pedir isso em qualquer mercado de país islâmico (vai arranjar confusão MY FRÉNDI!). O chá é uma tradição milenar no Egito e é oferecido em todo e qualquer lugar que você esteja, gratuitamente ou por um preço justo (R$ 1 real no máximo). Tem outra coisa importante. A maioria da água no Egito é insalubre, assim, fervê-la (e não só esquentar) é um grande benefício!

Um café da manhã no Egito com muito chá - Foto de Peter Menzel

Um café da manhã no Egito com muito chá – Foto de Peter Menzel

2. O Koshary e a Shawarma

Esses duas comidas são as mais encontradas nas ruas egípcias e por um preço mais do que justo (R$ 7 ou R$ 10 reais).
O Koshary (ou Kushari) é uma mistura altamente nutritiva e calórica, com macarrão, arroz, lentinha, soja e carne seca. É a comida do trabalhador. O Shawarma é o lanche preferido, pode ser de carne bovina, frango ou porco. Os pratos são sempre de metal, dificilmente cerâmica ou plástico.

Prato de Koshary, a principal refeição Egípcia (Arroz, Lentinha, Soja e Carne Seca )

Prato de Koshary, a principal refeição Egípcia (Arroz, Lentinha, Soja e Carne Seca )

3. Comércio, comércio e comércio

Prepare-se para tornar-se um especialista em barganha. Nas ruas vende-se tudo, comida, papel higiênico, aparelhos eletrônicos, roupas, frutas e peixes. E eles vão querer que você compre tudo! Eles não fazem por maldade, obviamente é questão de sobrevivência. A economia do Egito vive um período muito rude devida a falta de turistas (assustados pela primavera Árabe) e fronteiras fechadas com Israel. Em todo caso, a palavra Shokrun (obrigado em Arábe) pode ajudar a esquivar-se.

4. Você realmente pode arranjar uma briga por comprar cerveja

Quer honrar as tradições brasileiras sem desrespeitar o Islã? Peça pro funcionário do Hostel ou Hotel em que você está hospedado comprar pra você. A comprar não é ilegal, só não é bem vista pelos mais radicais. Na regiões turísticas de Dahab e Sharm el Sheik o consumo é livre.

Aliás, gorjeta é um modo de complementar seus baixos salários, então você vai ouvir “tips” a todo momento. Ande com bastante trocado para ajudar a economia local 😉

Cerveja Stella no Mar Vermelho em Dahab no Egito

Cerveja Stella no Mar Vermelho em Dahab no Egito

5. Confronto do futuro e o passado

Já dizia Dominique Quessada em seu livro (O poder da publicidade na sociedade consumida pelas marcas):

“Nos arredores do Cairo, a uns cem metros da Esfinge de Gizé, ostensivamente instalado defronte a ela e já fazendo parte integrante do lugar, um restaurante da cadeia Pizza Hut monta guarda, com seu logotipo piramidóide voltado para os tetraedros funerários de Quéops, Quefren e Miquerinos. Desta forma, dois guarda-comidas se encaram, um pela eternidade, o outro pelos trinta minutos seguintes”

Cena única: camelos amarrados em frente ao Pizza Hut.

Pizza Hut e KFC em frente as pirâmides do Egito (Esfinge de Gizé)

Pizza Hut e KFC em frente as pirâmides do Egito (Esfinge de Gizé)

6. O mundo todo é fudido e igual

Passados os eventos da praça de junho percebe-se que o Brasil e Egito não são tão diferentes assim. O que eles querem: saúde, educação e segurança.

Arte urbana (grafite) sobre atentados e mortes nas ruas do Egito

Arte urbana (grafite) sobre atentados e mortes nas ruas do Egito

Em especial sobre segurança, em países islâmicos atos como furto ou tráfico são puníveis de morte. Assim, você não terá nenhum tipo de problema como ser assaltado às 02h da madrugada. O perigo real é o terrorismo de grupos religiosos radicais como a Irmandade Muçulmana ou ainda a Jihad Islâmica. Essa última mais famosa por atuar na Faixa de Gaza e norte do Iraque pós EUA. Só pra que fique claro, a Faixa de Gaza fica a 350km de Cairo.

Blindados do Exército (Tanques) em cordão protegendo o Museu Egípcio de Cairo (Praça Tahrir)

Blindados do Exército (Tanques) em cordão protegendo o Museu Egípcio de Cairo (Praça Tahrir)

Assim, toda sexta-feira milhares de estudantes se reúnem na Tahrir Square para protestar. A Tahir é um local muito agradável, próximo a beira do rio Nilo, cercado por Mc Donalds, KFC e de frente ao majestoso e rosado Museu Egípcio. Essa bela vista só é ofuscada pelos mais de 20 blindados do exército que formam uma barreira de proteção ao majestoso museu egípcio.

7. O Militarismo intrínseco no dia-a-dia

Por uma triste coincidência, quando estava me dirigindo para o Monte Sinai um ônibus com turistas japoneses sofreu um ataque na cidade de RAFAH, fronteira de Egito com Israel (Faixa de Gaza). Essa região possui diversas cidades turísticas como Sharm El Sheik e Dahab e é uma das mais belas e visitadas do Egito, não por acaso os ataques terroristas para estes lados assusta todo o ramo turístico do Egito.

Posto de Controle com Blindado Protegido no Monte Sinai

O que parece isto pra você? Posto de Controle com Blindado Protegido no Monte Sinai

Fiz um trajeto de 900km de ônibus e fomos parados em mais de 15 postos de controle para vistoria de passaportes e averiguação de mochilas. Cachorros antibombas fazem esse trabalho. Como naquela semana dois ônibus turísticos aviam sido atacados optei por viajar com um ônibus comum Egípcio, uma experiência incrível de atravessar deserto com a população local. Na TV do busão uma produção de Bolywood gerava o agito com dança e piadas a Zorra Total! A estrada não tem iluminação ou placa e nos paradeiros um chá + narguilé para espantar os -5ºC do deserto.

8. Take a picture, take my picture man!

Como forma de presenteá-lo, os egípcios deixam você bater uma foto deles e levar consigo! E nem pense em não aceitar essa oferta.

Alguns moradores locais em Cairo e Luxor que quiserem bater uma foto

Alguns moradores locais em Cairo e Luxor que quiseram bater uma foto

9. O Brasil é o lugar e Kaká, Ronaldo e Pelé são os caras

É fascinante o poder e reações que a palavra Brasil (ou BRÉZIU) podem causar aos serem mencionadas em um país como o Egito. Segundo eles temos comida, água e as 40 virgens prometidas! Mas brincadeiras a parte, as marcas Pelé, Kaká e Ronaldo eram ditas todas vez que pronunciava meu país. Até mesmo Messi!

10. Take your time

and enjoy the moment.

Gizé e Dahab no Egito

Gizé e Dahab no Egito

11. Allahu Akbar (Deus é Maior)

Disse Sócrates: Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância. A tarde em que estava em Cairo ouvi o bairro todo cantando a mesma coisas (vídeo abaixo). Eram as mecas e vizinhos convidando a todos a rezar.

Quando você conhece o Islão (Inglês: Islam) e seus dogmas, caem por Terra toda a baboseira e preconceito que vemos na TV e noticiários. Logicamente é perverso por exemplo o controle Talibã no Afeganistão e a radical Charia imposta por eles que oprime mulheres e destrói famílias.

O Egito é considerado o país muçulmano mais liberal de todos, muitas mulheres nas ruas de Cairo não usam véu. Algumas odeiam, outras tem orgulho em exibi-los.

Mulher de burca em Cairo no Egito

Mulher de burca em Cairo – Egito

Confesso que achei o Islamismo uma religião impressionante, o que aumentou ainda mais o meu respeito. Os cinco pilares do islão são cinco deveres básicos de cada muçulmano:

  • a recitação e aceitação da crença (Chahada ou Shahada);
  • orar cinco vezes ao longo do dia (Salá,Salat ou Salah);
  • pagar esmola (Zakat ou Zakah);
  • observar o jejum no Ramadão (Saum ou Siyam);
  • fazer a peregrinação a Meca (Hajj) se tiver condições físicas e financeiras.

Aliás, sabem onde fica a MECA SAGRADA que o Fantástico exibe uma vez por ano? Arábia Saudita.

12. O Mar Vermelho. Nem só de múmias vive o Egito

O Montei Sinai é uma das regiões mais perigos do Oriente Médio, mas também um lugar fascinante, cheio de surpresas pra quem gosta de aventura e esportes.

Rolê de motocross pelo deserto de Dahab no Egito

Rolê de motocross pelo deserto de Dahab no Egito

E mergulhos no Mar Vermelho:

Preparativos para mergulhar em Dahab / Mar Vermelho

Preparativos para mergulhar em Dahab / Mar Vermelho

Meu querido dromedário Michael Jackson, esse sofreu com tanto peso em cima!

Camelo Michael Jackson  em frente as pirâmides de Gizé

Camelo Michael Jackson em frente as pirâmides de Gizé

Meu roteiro de 15 loucos dias pelo Egito

Voo de São Paulo para Cairo com escala na Ethiopia – Ethiopian Airlines (U$ 750 dólares)

3 dias em Giza hospedados nos Pyramids Loft pelo AIRBNB (U$ 20 dólares / dia)
Trem de Cairo para Luxor – Watania Sleeping Trains (U$ 90 dólares) Pode ir de dia por U$ 10 dólares
3 dias em Luxor no Bob Marley House Hostel (15 dólares / dia)
Ônibus de Luxor para Dahab (U$ 20 dólares e 24h de viagem)
2 dias em Dahab Dorms (U$ 20 dólares/dia)
3 dias em Penguin Village Dahab (U$ 20 dólares / dia)
Mergulho com oxigênio em Dahab (U$ 50 dólares / 30min)
Ônibus de Dahab para Cairo (U$ 15 dólares)
3 dias em Cairo no Hostel Dahab (U$ 15 dólares / dia)
Taxi Cairo -> Aeroporto (U$ 20 dólares)

Meu roteiro no mapa:

Pai do Benjamin desde nov/2014, uma peripécia mais aventureira que ir pro México, Colômbia ou Egito. Publicitário no frio Curitibano, a cidade mais louca do sul do mundo. Escreve no Vintage e Retrô e em seu site pessoal.

Tags: Egito,

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